Saturday, December 15, 2007

Proposta para Lynch

Ela fumou um sapo cor de ananás e começou a cheiras coisas com os olhos. Depois veio um boneco de chocolate de avelãs cantar melodias da Tasmânia e tocar reco-reco com uma unha encravada. Ele ia ao circo, no entanto um post-it cheio de anotações pregou-lhe uma rasteira com as orelhas e gritou para o céu que os elefantes tinham muito mais piada se voassem como voam papéis ao vento.
Até que, quando ninguém esperava, aparece uma senhora de uma cor qualquer disposta a fazer coisas que a ninguém lembram, e promete mundos e fundos para que uma carteira portuguesa onde até cabia um bilhete de identidade inteiro lhe dissesse para que lado é que ficavam as finanças de Álcacer do Sal.
Em chegando lá, havia uma fila interminável de tartarugas cor de burro quando foge que se queixavam do tempo que demorava uma ave rara a cair do céu, como se o próprio dEUS tocasse naquela banda belga que coiso e tal.
Até que veio um artista de circo chamado Artur, cuja grande habilidade era cuspir para o ar e apanhar o cuspo ainda quando estava a subir, e perguntou à senhora de uma cor qualquer: «Tu no Inverno vais à piscina?» Ao que ele respondeu: «Pá, deixa-me, mas é.»
Nisto, o sapo cor de ananás que tinha sido fumado apareceu numa nuvem de aguarelas em contraluz e começou a declamar os Lusíadas em italiano enquanto pedia uma piza de amoras que tinham entrado ilegais no país por terem subordinado uma andorinha dos andes que por acaso ia a passar.
Agora, David Lynch, faça lá um filme disto que eu vou ver de certeza.

2 comments:

Maria João said...

Hehe. Este parece aqueles textos que, em miúda, escrevia com os colegas de turma durante as aulas mais secantes. Cada um escrevia uma linha e deixava uma palavra no início da linha seguinte. O próximo completava a frase, sem ver o que estava nas linhas superiores.

Eram os chamados trabalhos de grupo.
Pena não ter guardado nenhum!

Lunatic on the grass said...

eu também fazia isso.
mas tem mais piada sozinho.
é a chamada possibilidade de conduzir sozinho o disparate.